Verdade
- Anima Animus
- 24 de set. de 2023
- 2 min de leitura

- Foi verdade, sim! As torres gêmeas implodiram e aquele avião era holográfico! – Chico exasperou-se, diante do ar desdenhoso de Franco.
- Hum! Hum! Sei... e as renas do papai Noel passaram de raspão, no meio da fumaça holográfica, e, por pouco, o Natal não foi destruído... – olhar dando meia volta, fisionomia de cansaço mental. Difícil conversar com maluco!
- Eu já disse que a explosão foi real! Implosão! Poxa, Franco! Assim, fica difícil. Aquele avião engolido literalmente pela torre, feito fantasma. O câmera posicionado pra filmar a cena, no exato momento! Só não vê quem não quer. – Chico já sinalizava uma bandeira branca, não havia horizontes.
- Exatamente. Todos viram, mas só uns outros acreditam em tudo que vem da Internet. A Internet falou e pronto! Vira lei. Ainda dizem que têm senso crítico. Pelo amor de Deus! – Era o fim da conversa. Clima pesado! Cada mundo em seu cantinho.
Há muitos anos luz de distância, dois seres humanoides observavam aquela cena terrestre, através de equipamento sofisticadíssimo. Os humanos eram estranhos, difíceis, incapazes de discordar sem brigar. Aquela cena ocorria num passado que era presente naquele momento, tal qual preconizara Einstein. A luz, suas viagens e seus mistérios... E a curiosidade para verificar aquela história não poderia deixar de existir, em seres tão sofisticados! Ajustes feitos e lá estava. Aviões, torres, terror e fumaça...
- Pai, desliga isso! O peito apertou... – era completamente incompreensível. A conversa falava de hologramas, “papais noéis” e aviões fantasmas. Aquele planeta só poderia ser um hospício. O garoto ET sentia uma coisa estranha, era tristeza.
Aqueles dois seres curiosos amaldiçoaram sua curiosidade, naquele momento. Uma infinidade de trilhões de planetas para apreciar, focalizaram logo naquele que parecia tão bonito! Já não importava qual dos terráqueos teria razão. Um evento daquele deveria suscitar, naquela civilização, uma revisão total de todos seus conceitos. Contudo, os seres, movidos por uma curiosidade irrefreável, bisbilhotaram um pouco mais aquele povo esquisito. Milhares de anos, milhares de historias, no cerne de inumeráveis conflitos. No final, a discordância, o não entendimento funcionavam como embriões de todo tipo de tensão. A verdade disputada a ferro e fogo. Ironicamente ou não, era, em torno das estórias, que os humanos confraternizavam, riam juntos e brindavam. A verdade não mais seria o pomo da discórdia:
- Era uma vez, num reino muito distante... - Uma senhora simpática abria as cortinas de mais um reino de fantasias. Crianças muito atentas possuíam aquele brilho nos olhos. Sonhavam todas em voar para além dos céus e arranha-céus. Nada de perder tempo, ferindo alguém, era óbvio. A verdade desconhecida dos infinitos clamava por corações aventureiros. A verdade adornada de toda a poesia!



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