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Queime-se a Luz

  • Foto do escritor: Anima Animus
    Anima Animus
  • 24 de set. de 2023
  • 3 min de leitura

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Escuridão. A lama cobria os tornozelos. Eles corriam na velocidade de seus corações palpitantes, saltando raízes proeminentes, pisando em folhas, frutos, insetos. Será que conseguiram despistá-la? Aquela caçada havia sido um fracasso. Estavam perdidos. O grupo se dispersara, após a aparição da terrível fera. Uma mulher no grupo só poderia dar nisso. Uma maré de má sorte e infortúnios de todo tipo. O céu, tão límpido e luminoso no início daquela manhã, quem poderia imaginar tamanho acúmulo de nuvens cinzentas! O sol estava encoberto, as trevas precoces inundavam a floresta. Um lugar belo e convidativo, naquele momento, inspirava, apenas, medo. Os deuses das chuvas e ventos, sem dúvida, estavam contrariados. Gotas grossas de água fria percorriam os céus e aqueles dois corpos suados. Árvores poderiam não ser os locais mais seguros, naquele momento, mas valia arriscar, estavam exaustos, eram presas fáceis.

Na copa daquela árvore gigante, tremiam. O garoto, em sua primeira e desastrosa caçada, pensava, apenas, em sua sobrevivência. As peles que vestiam estavam encharcadas. A garota esquisita, rebelde, queria conhecer o mundo para além de sua aldeia; queria ver os animais, florestas e planícies de que tanto falavam os anciãos, em suas fascinantes histórias. Ela conhecia, apenas, as imediações da aldeia e, nesse dia, combinou com seu amigo Onix um disfarce para ir caçar junto aos adultos. Lua sentia medo. A briga com os homens do grupo deixara todos de guarda baixa. Após longas discussões, feras temidas surgiram diante deles. Conseguiram neutralizar três delas, mas uma sobreviveu, recuou e retornou para acertar as contas com o casal. Dispersaram-se na confusão. Na verdade, queriam ela longe, a raiz dos problemas, a causa da quase morte de todos.

O frio da chuva havia passado. Pareciam seguros, na grande mãe-árvore. O coração acalmara, a noite caía. Uma árvore frutífera! Que sorte! Lua oferece algumas frutas ao seu amigo trêmulo. Lágrimas rolavam aqui e ali, ele ainda se considerava à beira da morte, enquanto ela vislumbrava a sua xará, no céu. As nuvens deram uma trégua para o brilho do luar, mas continuavam velando as estrelas. Lua encantava-se com o mundo mágico à sua volta e, num ato de espontaneidade, orou aos deuses com todo o fervor. Onix secava as lágrimas, perplexo com a calma da amiga. Ele queria ter raiva dela, contudo o único sentimento possível era a admiração. Como se o céu respondesse, trovão!

Clarões assustadores iluminaram os céus, em intervalos regulares, seguidos de trovões poderosos. Lua mantinha-se inabalável, enquanto seu amigo voltara a tremer. De repente:

- Lua! O tigre-dente-de-sabre! Lá embaixo! Ele achou! Vamos morrer! – Ela parecia não escutar, mantinha-se de olhos fechados, aparentava estar possuída. Havia sido treinada com a importante anciã da aldeia, mas não passava de uma garota, então como? – Lua! – ele, dessa vez, sacudia a garota, correndo o risco de caírem de uma altura considerável. No entanto, ela fez, apenas, um simples gesto de silêncio.

O tigre preparava-se para escalar a portentosa árvore. Clarão, trovão ensurdecedor, tudo ao mesmo tempo. Um raio caíra muito próximo deles, afugentando o tigre. Lua sai do seu transe com o barulho amedrontador e, ao observar o chão, fogo! Fogo! Pedaços de madeira ardiam em brasa, a fumaça subia. Foi uma epifania. Ela desceu a grande árvore para apanhar uma das toras com o fogo na ponta. Nascia a primeira tocha. Enquanto isso, uma patrulha de busca, um tanto arrependida pelo seu tratamento à garota, procurava, guiada pela suave luz do luar. Fumaça! Fumaça! Claridade!

- E lá estava ela, meus filhos, empunhando o fogo! Quando a encontraram... – a senhora interrompe a história para gargalhar deliciosamente – eles imaginaram estar diante de uma deusa! Uma deusa do fogo, em forma de menina, assim do tamanho de vocês.

- Sério, grande anciã? – Um dos garotos tentava imaginar como uma garota poderia ser tão poderosa! Tinham um aspecto tão frágil, magrinhas!

- Sim, claro meus filhos! Ela é a tataravó de todos nós. Assim falava minha bisa, minha vó, minha mãe e eu falo a vocês sentados aqui, ao redor dessa fogueira, uma dádiva dos deuses!

- Então, por isso seu filho chama Onix? – Pergunta uma garota curiosa.

- Sim, sim. Hahaha! Bem observado, Tista! Mas essa é outra história...

 
 
 

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