Mundo à Flor da Pele (Poema Autístico)
- Anima Animus
- 25 de set. de 2023
- 1 min de leitura

Nossos pés se tocam,
Roçam, balançam, embalam.
Nossas mãos se tocam,
Pedaços de unhas arranham delicados,
Os dedos.
Insciente, inconsciente, voluntariamente.
A boca encosta nos braços, nas mãos.
Suculentos, mordidas discretas.
Realidades secretas.
Invisíveis à vista.
A cadeira oscila sem titubear.
O corpo vacila, quase cai.
Vem e vai.
Palmas, tremeliques, sorrisos constrangidos.
A estranheza nos olhos alheios.
O corpo mascarado.
As máscaras esgarçadas até não poder mais.
Realidades secretas vazando.
Sutis, explosivas, incompreendidas.
As janelas da alma,
O Outro,
Um campo minado.
Pupilas opacas nos encontram,
Impermeáveis às luzes secretas.
O espectro fora do alcance normal.
Uma torrente de estímulos,
Um pequeno globo.
Pane.
Dilúvio emocional.
Vista esquiva
Nas cercanias seguras.
Mergulho em águas internas.
Foco super estimulado.
Mergulhos sempre profundos.
Perdidos em pensamentos, descobertas.
Curiosidades insaciáveis.
Nada mais importa,
Nada mais.
As vozes lá fora.
O barulho aqui dentro.
Somos arrancados das profundezas.
Certos sons, cheiros, luzes, toques, texturas, incertezas,
Até mesmo atmosferas densas, hostis.
Movemo-nos tensos.
A ansiedade,
Uma coreógrafa excêntrica.
Movemo-nos para dentro, coreografando fora,
Cada passo.
Tropeços distraídos em crises confusas.
Crises literais com ares metafóricos.
Queremos, também, outras direções.
Repostas de nossas aflições.
Passos que se cruzem,
Entrecruzem.
Um emaranhado mais acolhedor.
Sem ironias doloridas,
Sem ambiguidades de emoções fingidas.
O amor tem as chaves de nossos quartos,
De nossas lágrimas.
O amor sabe as senhas dos celulares.
Amor é entendimento sem palavras.
Está além da linguagem dos corpos,
Mas canta através deles.
Vamos ecolalar a espectralidade,
Diferenças cheias de unidade.
Repetir, mais uma vez, insistir, redizer, refalar.
Espectralidade, espectralidade, espectralidade!
Vamos criar uma bela lista infinita,
Para uma rotina de surpresas encantadas.
Planejar uma humanidade espectral.
Acabar com essa ficção distópica,
Cartesiana, binarista.
Amor incondicional,
Só pode existir no Espectro.




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