A Crisálida
- Anima Animus
- 21 de set. de 2023
- 2 min de leitura

Dizem que ninguém nunca retornou do lado de lá, para contar a história. Ora, foi precisamente o que fizeram os espíritos ao ditarem seu livro. Vieram, vem e continuarão vindo por isto estar na ordem natural das coisas. Contaram a inspiradora história de incontáveis lagartas metamorfoseando-se em belas borboletas. Corpos grosseiros, arrastando-se pela Terra a fim de ganharem os céus espirituais. As provas pululam aqui e ali, mas somente se tivermos olhos pra ver, se não houver orgulho a nos embotar. Vaidade, vaidade, tudo é vaidade, já advertia o Eclesiástico. Vaidade de estar certo, vaidade em não admitir enganos. Porém, diante da morte qualquer vaidade é vã. Após a morte, nossas tolices ficam escancaradas, enquanto aqueles cultivadores do espírito durante a vida na Terra, podem abrir sincero sorriso ao vislumbrarem as belezas do mundo eterno. Morte é sinônimo de fim. Não morremos. Morre o corpo. Desencarnamos.
A crisálida foi aberta. Os laços que nos prendiam a matéria, pouco a pouco se desatam, tais quais botões de uma roupa velha. Um sono profundo, um despertar. Tateamos atordoados nesse admirável mundo sem fim. Duas sortes se distinguem. A sorte dos egoístas, materialistas, grosseiros e desequilibrados revela-se tão mais perturbadora quanto mais desequilibrada tiver sido sua existência terrena. Uma duradoura confusão mental se instala, podendo permanecer por décadas a fio. Cada um segundo suas obras ou segundo a falta delas. Os mais apegados ao corpo podem até mesmo assistirem ao horrendo espetáculo da própria decomposição, além de sentirem os efeitos desta, devido a forte ligação estabelecida. Estes sofrimentos são sempre de ordem psicológica e decorrem das reminiscências terrenas impressas no perispírito, contudo em nada devem aos sofrimentos físicos. Podem incluir também, sensação de fome, sede e frio. Já a sorte dos seguidores do amor desenrola-se tranquilamente. Amigos e mentores espirituais correm em seu auxílio, o estado de confusão mental dura apenas algumas horas, semelhante a um paciente recuperando-se de uma anestesia geral. Em seguida, um mundo fantasticamente indescritível descortina-se. Aurora!



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